Cinzas de verão

Então, o verão começou, nosso layout mudou (e como!) e abundam nos jornais notícias que valorizxam aspectos da humanidade cada vez mais demodé... sim, estamos no interregno meloso que compreende os oito dias que vão desde a véspera de natal até a ressaca do reveillion... É uma época especialmente penosa para quem, como muitos humanos, já não tem tanta fé, ou mesmo crença em qualquer coisa que seja comparável aos velhos jargões natalinos de esperança e tranformação (para melhor). É como se fôssemos ver uma peça a partir dos bastidores, vendo todas as falácias, retóricas e figurinos mal ajambrados, mas que, para quem acredita na magia das coisas, parece mais vistoso do que é. Enfim, é uma época de desilusão e ilusão.

Mas este não é o ponto. Vi uma reportagem num jornal local do estado-canavial em que moram os meus e percebi o quanto nós reagimos conservcadoramente diante de uma erosão de valores. Eles nunca foram tão sólidos quanto nos pareciam, ou quanto nos fizeram parecer. Esse balanço desta tumultuada década, feito brilhantemente pelo Guilherme, faço coro com uma espécie de embasbacamento que me faz, retroativamente, nem ter me dado conta que já faz, por exemplo, 8 anos que, em vez de um episódio do Dragon Ball, tive de ver aviões se chocando com prédios ao vivo na TV, mesmo sem saber o que isto significava; ou então, que faz seis anos que ouvi uma palestra no primeiro ano de faculdade onde um homem de sotaque estranho tentava explicar o conexto religioso da questão iraquiana e eu só consegui faicr pensando que, apesar de tão inglês, ele parecia falar melhor português que muitos outros nativos... são detalhes da grande história; são esses detalhes que nos fazem integrar a grande colcha da humanidade, com todos os seus deslizes. Nestas datas, nunca o ideal de uma humanidade de fato se faz tão presente. E nunca o nosso papel no que anda acontecendo pareceu pesar tanto.

São justamente a tecnologia, a velocidade da informação, o volume cada vez maior de decisões individuais quwe se inscrevem numa complexidade de outras escolhas, que encadeadas, nos colocam como protagonistas de uma história que não conseguimos mais ver onde pode dar... Nunca o mundo foi tão grande e pequeno; nunca as ilusões pareceram tão reais; mas eu divago. Só queria dizer algo esperançoso: talvez eu me convecesse. Mas isso não é possível. Estamos no deserto do real, de fato.
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23 Dezembro 2009

De 2000 a 2009 - Dez anos históricos!


Em uma época natalina vamos falar de um tema nada natalino: o que foi essa década?

Lembro-me da última tarde de 1999. Fazia sol e o mundo parecia menos complexo e intrincado do que é hoje. Obviamente eu mudei e hoje não consigo ver algo como não complexo ou não intrincado. Nesses dez anos que se passaram ao menos os instrumentos que temos para pensar o mundo entraram de vez na era 2.0 da internet e tudo agora - inclusive essa mensagem - se baseiam em uma outra forma de se relacionar com a informação. Pertencemos a uma era muito especial "neste mundo".

Fico pensando: o que teria acontecido se Al Gore tivesse ganho aquela eleição? Se o Lula não tivesse sido eleito? Se o dia 11 de setembro de 2001 fosse apenas mais uma terça-feira de trabalho? Este é o mundo que temos: é um lugar quente, lotado e cheio de problemas.

Talvez em dez anos o que mudou foi a forma ocmo nós reagimos aos acontecimentos da vida ou a forma como a gente lida com a memória. Foi nesta década que inventamos - como pessoas - o Orkut, o Google Maps, o Iphone, o Youtube, as legislações ambientais fatalistas e uma infinidade de outras coisas. Criamos e desenvolvemos as tendências deixadas no século passado e produzimos um mundo cada vez mais casual e dado às coisas públicas. Nunca tantos segredos foram expostos, gravados em vídeo (Que Paris Hilton diga Amén) e disponibilizados em rede. Nossa vida mudou nosso tempo e o tempo mudou nossa cara. Que década foi essa?

O que vai sobrar disso? Talvez o The White Stripes e alguns filmes, algumas novas emoções que vão ganhar nome e um novo sentido para a palavra atitude. Criamos um novo sentido para o uso social da tecnologia e o fim da hegemonia dos Estados Unidos como único líder restante de uma ordem mundial que durou vinte anos. Em âmbito nacional colhemos o saldo do crescimento econômico que não acompanha o desenvolvimento social no mesmo ritmo. Mas, e aí? Como foi viver essa década?

Fomos cada vez mais atacados pela velocidade exponencial do mundo que nos cerca. Viramos pessoas mais profissionais em manter uma imagem pública que perdeu sua coerência em algum momento do caminho. Talvez hoje estejamos mais habituados com uma simples idéia: a de que as pessoas são ambíguas.

Para comemorar, vamos de 1999...


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22 Dezembro 2009

A fina arte de aprender com nossos erros


Aconteceu!

Finalmente um acidente aconteceu e eu perdi praticamente tudo o que eu tinha em meu HD. Foi algo rápido: de um dia para o outro tudo o que eu havia escrito desde 2001 foi apagado e sem chances de recuperação.

Essa amnésia irreversível, além do desastre em si mesma - trouxe uma grande mensagem que ficará marcada em minha "alma" para a eternidade: sempre faça um backup. É difícil dar um conselho sem usar a voz imperativa mas não há outra forma em nosso idioma. Faça um backup de seus dados, seja ele em mídias removíveis, seja em um servidor ftp. Escolha algo e faça hoje mesmo.

Com esse "erro" da minha parte de não ter feito um backup fico pensando que toda a desgraça subsequente é apenas uma forma de nos lembrar que certas coisas acabam e que outras delas não estão sob o nosso controle. Infelizmente enquanto digitava este post a energia caiu e eu só não perdi mais palavras pois o Blogger conta com um serviço automático para salvar posts inacabados.

A coincidência desses fatos me leva a pensar em uma outra questão: nesse mundo de memórias perder algo por completo não é exatamente perder tudo. Há uma parte de tudo o que eu perdi, de tudo o que foi para o lixo, que foi deletado, que foi roubado, esquecido, que faz parte de mim. E é aqui que reside a fina arte de aprender com nossos erros.

Serei mais explícito com um exemplo. Vocês se lembram da Colônia Penal do Kafka, que descrevia a entrada da memória pelo corpo? É mais ou menos a mesma coisa: enquanto giramos e sentimos as agulhas penetrarem nossa pele e atingirem nossa carne é que conseguimos avaliar o valor que as coisas têm para nós. É apenas com nossos erros que descobrimos o valor dos acertos, é apenas com os acidentes que conseguimos erguer louvores à mediocridade da vida cotidiana. Será que é preciso estar à margem para ter outras perspectivas?

Não sei e acho que resumir a questão toda a isso é estúpido e previsível. O que sei é que não importa o que aconteça, faça um backup pois há certas lições que você não vai querer aprender e certos valores que funcionam muito bem na invisibilidade da nossa falta de reflexão. Hoje eu sei que não são meus acertos que dizem quem sou eu, nem meus erros mas sim o quanto (ou como, melhor dizendo) eu dou valor para essas perdas imateriais que me foram caras demais.

O saldo final de minhas perdas só não foi maior por causa deste blog. Como eu tenho o costume de publicar aqui algumas das produções que faço, acabei por salvar uma parte importante de minha memória nos últimos dois anos. Porém acabei por perder centenas de poemas, várias histórias, algumas delas terminadas, idéias soltas, ilustrações, canções que havia composto, gravações raras de meus amigos cantando, todos os meus trabalhos acadêmicos e de escola (Eu tinha trabalhos meus salvos desde o final do ensino fundamental, que datavam do século passado!). Ao menos os meus valores me levam a pensar essas perdas sempre como um momento singular de expressar uma fina arte que é mais cara a mim que tudo nessa vida: a capacidade de aprender algo diferente com tudo o que acontece.

Porém aprende-se também que é possível perder, esquecer, não acessar e inutilizar muitos aprendizados e isso só acontece por causa da passagem do tempo.
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21 Dezembro 2009

Use seus melhores palavrões: o preço do ônibus em São Paulo vai subir!


O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) disse no domingo (20) que o aumento da tarifa de ônibus para R$ 2,70, a partir do dia 4 de janeiro, está embasado em estudo e é compatível com a inflação. Ele afirmou que espera a compreensão da população sobre o reajuste.

O superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Marcos Bicalho, disse, porém, que a medida afasta a população do transporte público e coletivo. "Passa a ser mais vantajoso comprar um carro ou uma moto."

Quem faz duas viagens de ônibus por dia gasta R$ 92 por mês. Em janeiro, serão R$ 108 - pouco menos do que a prestação de uma moto. Bicalho critica o valor. "Não conhecemos as variáveis, mas é possível dizer que R$ 2,70 é um valor alto para a população brasileira", disse.

Depois de três anos sem reajustes, a tarifa de ônibus em São Paulo passará de R$ 2,30 para R$ 2,70 a partir do dia 4 de janeiro. Os R$ 0,40 a mais representam aumento de 17,4%. De acordo com a tabela da ANTP, atualizada em outubro, São Paulo passa a ter uma das tarifas mais caras do País. Em outras capitais, o valor não supera R$ 2,50.

Na sexta-feira (18) à noite, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, enviou ofício ao presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PR), com informações sobre o aumento. O comunicado é uma formalidade, porque a decisão não precisa de aprovação.

Subsídios

O último reajuste ocorreu em novembro de 2006, quando a tarifa subiu 15%, de R$ 2,00 para R$ 2,30. O congelamento até o fim deste ano foi promessa eleitoral de Kassab. Para cumpri-la, ele teve de bancar R$ 783 milhões em subsídios às empresas de ônibus. A previsão inicial era de que o valor não ultrapassaria R$ 600 milhões.

O aumento da tarifa de ônibus não eliminará a necessidade de subsídio para o sistema de transporte coletivo da capital. Simulações apresentadas por Moraes em audiências públicas na Câmara Municipal demonstravam que cada R$ 0,10 de aumento na passagem representariam R$ 148 milhões a menos de subsídio para as viações.

Neste ano, a Prefeitura gastou mais de R$ 800 milhões com a chamada "compensação tarifária". Ou seja, para se ver livre das subvenções, o Executivo teria de fixar o valor da tarifa em pelo menos R$ 2,90.

Integração

A Secretaria Municipal de Transportes informou ontem, em nota, que o preço da integração entre ônibus e transporte sobre trilhos vai subir dos atuais R$ 3,65 (sic. De fato o valor atual da integração é de R$3,75) para R$ 4,00, também a partir do dia 4 de janeiro.

A nota explica que o período de viagem do bilhete único passa de duas para três horas, mas o passageiro só pode fazer uma viagem de trem ou metrô e outras quatro em ônibus municipais.

Legal, não? Agora para completar, vamos ver isso:

As tarifas do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) também devem ser reajustadas em 2010, de acordo com a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos. O governo estadual ainda não confirmou, no entanto, a data do reajuste ou o valor das novas tarifas.

A Prefeitura de São Paulo informou na noite deste domingo (20) que a tarifa de ônibus na capital paulista vai subir dos atuais R$ 2,30 para R$ 2,70 a partir do próximo dia 4 de janeiro. O valor do Bilhete Único que faz integração com o Metrô passará de R$ 3,75 para R$ 4. A Prefeitura havia informado que o valor atual era R$ 3,65, mas a informação foi corrigida.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos confirmou que “reajusta anualmente as tarifas do Metrô, da CPTM e da EMTU”. “É uma política de transparência iniciada em 2007 que permite aos usuários dos meios de transporte programar seus gastos com a informação prévia da periodicidade do reajuste”, diz a secretaria em nota enviada ao G1.

Em 2009, o reajuste ocorreu em fevereiro, quando o bilhete unitário do Metrô passou de R$ 2,40 para R$ 2,55. Segundo a secretaria, o aumento ocorre com “base na inflação medida no período e tem como principal objetivo garantir as despesas de custeio e manutenção do sistema”.

Aumento do ônibus

O reajuste dos ônibus representa um aumento de 17,4% em relação ao valor atual da passagem, de R$ 2,30. Segundo a assessoria de imprensa do vereador e líder do governo na Câmara José Police Neto (PSDB), a legislação determina que o prefeito comunique à Câmara com dois dias de antecedência o aumento na tarifa dos ônibus. Não é necessária aprovação dos vereadores.

Durante a campanha eleitoral de 2008, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que foi reeleito, afirmou que não aumentaria o preço da passagem em 2009. O último reajuste foi em novembro de 2006.
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20 Dezembro 2009

Szamanka (1996), w reżyserii Andrzej Zulawski


Bom. Filmes de diversas parte do mundo msotram o quanto a agonizante arte do cinema pode se revelar sob diversas formas. Nessa produção franco-helvétio-polonesa, com especial ênfase no polonesa, o cinema se presta a um papel que, se não é o mais digno, pelo menos pode render boas histórias: as paisagens mais obscuras das experiências humanas, suas deformidades e ambições: obsessão, desejo, morte. Zulawski é engenhoso na condução de sua narrativa e em alguns momentos nos lembramos que estamos num filme; mas, na maior parte do tempo, tudo é tremido, corrido, escorrido, dolorido, compulsivo: e aí o filme parece ser um olhar ávido despejado por recônditos da alma humana não muito agradáveis. Isto não seria de todo mal se a história nos fisgasse e para além dessa baboseira de "indetificação", o desconforto do filme fosse mais um elemento narrativo, como sói acontecer quando se tem boas histórias para contar.

Aqui, uma pausa. O filme não é ruim, mas não se sabe muito bem do que se trata: uma overdose de simbolismos que parecem querer dizer algo, mas que parece sempre pouco diante da "falta da história" que emerge nos momentos em que o filme simplesmente anda. E parece, no final das contas, muito pouco. Mas aí, no terço final do longa, a recuperação é formidável.

E o terço final vale o filme. As alegorias agora se encadeiam, o encontro com o "antropóide" adquire uma tocante dimensão metafísica, e as falas do filme, que pareciam desconjuntadas, compões um interessante pano de fundo para os desenrolar do final da trama. Sem falar na trilha que potnua o filme de forma bizarra e que cria um clima; eficiente sobretudo, este clima não quero dizer que seja bom de sentir: e é disto que o filme parece tratar, até onde me foi permitido compreender.

Misturar arqueologia, antropologia, xamanismo, neurologia e coisas que tratam das diversas dimensões do humano, formou um interessante caldo para discutir as ambições do ser humano e para entender nossa luta incansável contra o desaparecimento: esta é que a verdadeira compulsão, filha de uma outra, ainda mais voraz, a de finalmente "fazer/trazer sentido" ao mundo.
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19 Dezembro 2009

Manutenção concluída

Estamos oficialmente prontos para o verão. As cores quentes combinadas a efeitos de iluminação deixam o visual mais simples e vivo. O menu agora é visual e temos como tema símbolos da sorte e superstição.

Nosso destaque do mês foi para o rodapé, por enquanto. Há um pequeno problema que preciso resolver para exibî-lo corretamente onde quero mas, por hora, isso é o suficiente.

Testei este blog em quatro navegadores: Explorer, Opera, Firefox e Chrome. No IExplorer tudo ficou um caos, os elementos da página estão todos fora de lugar. Esta página não foi feita para este navegador. No Chrome e Firefox não há problemas visuais mas no primeiro as RSS são exibidas com erro e no Opera a única diferença é que as bordas não ficam arredondadas e talvez eu prefira assim.

Uma recomendação aos colaboradores: usem imagens em seus posts pois assim a navegação fica mais amigável com o nosso widget de posts relacionados.

Se algum problema aparecer por favor entrem em contato.
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17 Dezembro 2009

Manutenção temporária





















Esta primavera foi desastrosa e cheia de ganhos. Está na hora de dar boas vindas ao verão. desculpem-nos pelo caos temporário.
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16 Dezembro 2009

Pode ter começado...


Pausa. Agora a coisa esquentou. Ao que parece, pode ser que sim, pode ser que não. Voltando ao que dizia, agora, ninguém sabe o que há de ser... Tempos indubitáveis. O ataque ao burlesco foi um emblema de nossa era: numa mesa onde os ricos se arrogam direitos que são só extensão de suas vaidades, todo o feitiço e as máscaras caem, revelando a fragilidade e a truculência de macacos, pois afinal o o Homo sapiens não passa de um macaco que perdeu o controle sobre suas ferramentas por causa dos desmandos da repressão e das vãs glórias do lucro e da cobiça; e agora: o que fazer?


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